Rastreamento do câncer de próstata

O rastreio de pacientes para qualquer doença maligna se baseia no fato de que a detecção precoce da doença facilita seu tratamento e aumenta os índices de cura. Para ser eficaz, requer que sejam realizados testes eficientes, facilmente administrados, e capazes de detectar cânceres significativos em estágios pré-clínicos ou em condições de tratamento curativos. O exame de rastreamento, detecção precoce, geralmente é realizado pelo exame do PSA e pelo exame digital da próstata (o toque retal). Recentemente, novas recomendações têm sido feitas pelas grandes sociedades especializadas. Um estudo europeu demonstrou que os homens com idade de 55 a 69 anos são os que mais se beneficiam quando submetidos aos exames periódicos. (Shröeder, F. NEJM 2008) A ampla disseminação do uso do teste de PSA foi baseada na grande possibilidade de detecção de tumores em estágio inicial, principalmente quando comparado ao exame de toque retal isoladamente. Além disso, um exame de toque retal normal, não descarta a existência de um câncer de próstata. Numerosas abordagens foram propostas para melhorar a acurácia do uso do PSA na detecção do câncer de próstata, incluindo a sua velocidade de duplicação, PSA livre, densidade de PSA e adequação do ponto de corte em função da idade, raça ou grupo étnico, porém nenhuma delas tem eficácia clínica comprovada. A orientação atual da Sociedade Americana de Urologia, bem como da Sociedade Brasileira de Urologia, estimula uma decisão conjunta entre o paciente e seu médico no sentido de se fazer o exame de PSA rotineiramente nos pacientes com expectativa de vida acima de 10 anos, deixando claro para o paciente a possibilidade de diagnóstico de tumores insignificantes e que não teriam impacto na sobrevida daquele indivíduo.